De que forma a vitamina D está associada à obesidade?

A Síndrome Metabólica (anteriormente denominada síndrome X) é caracterizada pela associação de fatores de risco para doenças do coração e vasos, além de diabetes. O problema principal nesta síndrome é a chamada “resistência insulínica”. A insulina é um hormônio liberado pelo pâncreas. Em indivíduos acima do peso, a insulina passa a ter dificuldade para agir, levando o pâncreas a produzir quantidades cada vez maiores deste hormônio, o que provoca um círculo vicioso e mais ganho de peso.

Embora hábitos alimentares ruins e sedentarismo sejam considerados como principais vilões em relação aos índices crescentes de obesidade, uma série de outros fatores de risco têm sido associados ao ganho de peso e desenvolvimento da síndrome metabólica. Entre estes fatores, destaca-se o papel da vitamina D.

A vitamina D tem uma íntima relação com o sol, uma vez que são justamente os raios solares que incidem em nossa pele os responsáveis pela “ativação” desta vitamina. Mas como estamos cada vez menos expostos à luz solar (dentro de um escritório ou de casa, deslocando-se de um lugar para outro em carros, ônibus, trem ou metrô) os níveis de deficiência desta vitamina têm aumentado em todo mundo.

Recentemente, a Dra. Claudia Chang esteve no Canadá e acompanhou a divulgação dos resultados de um estudo realizado pela agência de saúde pública local, que avaliou os níveis da vitamina D em quase duas mil pessoas. Foi constatado que quanto menores os níveis desta vitamina, maiores eram os componentes (obesidade, pressão alta, doenças do coração e vasos, diabetes e aumento do colesterol) da síndrome metabólica que os indivíduos apresentavam.

A função óssea da vitamina D já é bastante conhecida e sabemos claramente que sua deficiência é um dos fatores de risco para osteoporose. Mas a associação com obesidade e síndrome metabólica é bem mais recente e menos conhecida. Acredita-se que o aumento de peso relacionado à deficiência de vitamina D esteja envolvido com o “processo de inflamação”, uma vez que a vitamina D tem um papel antiinflamatório e na obesidade acredita-se que ocorra um estado crônico de inflamação.

“Assim, é importante que comecemos um programa mais ativo de suplementação de vitamina D e para isto os órgãos públicos possuem um papel central, como vimos no estudo canadense. Nos países nórdicos europeus, por exemplo, que apresentam programa de suplementação alimentar observamos níveis de deficiência de vitamina D muito menores que no Brasil. Como os níveis de vitamina D presentes nos alimentos são insuficientes, cabe a nós médicos e aos órgãos de saúde pública buscar ativamente a deficiência de vitamina D, orientando a suplementação adequada”, informa a médica endocrinologista Dra. Claudia Chang.